
Servindo ao Senhor apesar das circunstâncias | Tim Challies
19/jan/2026
A depressão é a principal causa de suicídio. O suicídio é a décima principal causa de morte nos Estados Unidos, responsável por 24 mil mortes anualmente.[1] A cada vinte minutos, morre um suicida e há dez tentativas não letais para cada uma fatal.[2] No mundo inteiro, a taxa de suicídio parece estar aumentando, com quinhentos mil sendo registrados anualmente.[3] O suicídio é um problema exclusivamente humano. Animais podem matar outros animais, mas não se matam. Só o homem se mata.[4] Devemos nos lembrar, no entanto, de que nem todas as ameaças de suicídio são genuínas.
As pessoas que ameaçam cometer suicídio devem ser levadas a sério, embora a maioria das ameaças de seja mera manipulação. Não é verdade que as pessoas que ameaçam suicídio nunca o cometem.[5] Na verdade, mais de 10% das pessoas que sinalizam que querem acabar com a própria vida acabam realmente cometendo suicídio. A maioria das pessoas que comete suicídio alertou alguém sobre suas intenções. O suicídio é mais frequente entre os divorciados, os viúvos e os membros das classes socio-econômicas mais altas.[6] Também é comum entre homens adultos solteiros.[7] As mulheres tentam o suicídio com uma frequência cerca de cinco vezes maior do que a dos homens; no entanto, a taxa de letalidade dos homens é duas vezes maior do que a das mulheres.[8] A razão para isso é que os homens tendem a usar meios mais violentos para cometer suicídio e não usam o suicídio como um gesto manipulador com a mesma frequência que as mulheres. Pessoas de todas as denominações religiosas cometem suicídio. Entre os estudantes universitários, o suicídio é a segunda principal causa de morte, perdendo apenas para os acidentes. A cada três minutos alguém “tenta” o suicídio, e a cada vinte minutos alguém perde a vida.[9]
Suicidas em potencial geralmente apresentam características em comum ou tiveram experiências semelhantes. Existem dez sinais de alerta que indicam indivíduos com maior probabilidade de tentar o suicídio:[10]
- Indivíduos com dor emocional intensa, como se observa em quadros de depressão.
- Indivíduos com sentimentos profundos de desesperança.
- Homens brancos, solteiros, com mais de quarenta e cinco anos de idade.
- Indivíduos com histórico de tentativa de suicídio ou que alertaram outras pessoas sobre suas intenções suicidas. De cada dez pessoas que cometem suicídio, oito deram sinais claros de aviso.
- Indivíduos com graves problemas de saúde.
- Indivíduos que sofreram alguma perda significativa, como a morte de um cônjuge, a perda do emprego, entre outras.
- Indivíduos que fizeram um plano específico para o suicídio. O processo se desenvolve da seguinte forma: pensamentos fugazes sobre suicídio são seguidos por uma consideração mais séria, que é seguida de uma tentativa concreta.
- Indivíduos com comportamento autodestrutivo crônico (p. ex., alcoolismo).
- Indivíduos com intensa necessidade de realização.
- Indivíduos que enfrentaram um excesso de acontecimentos perturbadores nos últimos seis meses.
O suicídio é algo terrível por vários motivos. Em primeiro lugar, em sua maioria, as pessoas que cometem suicídio o fazem quando não estão vendo as coisas de forma realista. Elas não cometeriam suicídio se vissem a verdadeira natureza da situação e percebessem que seu problema era apenas temporário e solucionável. Após dois meses de terapia, pacientes que antes estavam propensos ao suicídio ficam surpresos de o terem considerado no passado. Em segundo lugar, os efeitos do suicídio sobre os filhos, parentes e amigos são devastadores. Crianças, em uma atitude equivocada, se culpam quando um dos pais comete suicídio. Além disso, elas têm a propensão de seguir o exemplo de seus pais, desistindo da vida e cometendo suicídio quando se encontram em situações difíceis na idade adulta. Finalmente, o suicídio tanto quanto o assassinato é um pecado. O mandamento “Não matarás” (Êx 20.13) se aplica à nossa própria vida, bem como à vida de outros. O suicídio nunca é a vontade de Deus!
Somente sete suicídios estão listados nas Escrituras: Abimeleque (Jz 9.54), Sansão (Jz 16.30), Saul (1Sm 31.4), o escudeiro de Saul (1Sm 31.5), Aitofel (2Sm 17.23), Zinri (1Rs 16.18) e Judas Iscariotes (os Evangelhos). Nenhum dos homens que cometeram suicídio estava, naquele momento, agindo de acordo com a vontade de Deus.
Notas
[1] Merrill T. Eaton Jr.; Margaret H. Peterson, Psychiatry (New York: Medical Examination Publishing Co., 1969). Philip Solomon; Vernon D. Patch, Handbook of psychiatry, 3. ed. (Lange Medical Publications, 1974), p. 333 [publicado em português por Atheneu/USP sob o título Manual de psiquiatria].
[2] Ibidem
[3] Ibidem
[4] Ibidem
[5] Ibidem
[6] Ibidem, p. 335
[7] Ibidem, p. 336
[8] Ibidem
[9] Gary R. Collins, Overcoming anxiety (Santa Ana: Vision House Publishers, 1973); Eaton; Peterson, Psychiatry.
[10] Eaton; Peterson, Psychiatry; Jerome A. Motto, “Suicidal Patients in Clinical Practice”, Weekly Psychiatry Update Series 18 (1977); Psychiatric Annals 6, n. 11 (Nov. 1976); George Gilder, “In Defense of Monogamy”, Commentary (Nov. 1974), p. 31-6; “Evaluation of Suicidal Patients”, Psychiatric digest (Sep. 1974); “Suicide Notes and Risk of Future Suicide”, Psychiatric Digest (Oct. 1974).
Foto de Stormseeker na Unsplash
Trecho extraído com adaptação da obra “A felicidade é uma escolha“ de Frank Minirth & Paul Meier, publicada por Vida Nova: São Paulo, 2025, p. 39-42
![]() | (1946-2015), médico, presidente da Minirth Clinic e professor adjunto do Seminário Teológico de Dallas. Foi autor e coautor de vários livros, entre eles A brilliant mind. |
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![]() | Médico, fundou a Meier Clinics e participou como convidado em vários programas de rádio e de televisão. É autor e coautor de mais de oitenta livros e um palestrante muito requisitado. |
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![]() | Seja de forma leve ou aguda, temporária ou persistente, a depressão atinge quase todas as pessoas em um momento ou outro da vida. Contudo, a dor emocional da depressão pode ser vencida — ou até mesmo evitada. Com base em formação profissional, experiência em aconselhamento e conhecimento bíblico, os doutores Minirth e Meier respondem com competência e profundo conhecimento a perguntas como: Quais são os sintomas da depressão? Quais são as principais causas do sofrimento emocional? Que dinâmicas de personalidade levam à depressão? Como lidar com a raiva e a ansiedade? Quais são os tratamentos médicos disponíveis para tratar a depressão? Quais são as diretrizes para uma vida feliz? Atualizado com as pesquisas mais recentes, A felicidade é uma escolha dedica um capítulo para tratar a questão da ideação suicida e explica a relação entre a vida espiritual e a saúde psicológica. Em seguida, apresenta os passos fundamentais para se recuperar da depressão e desfrutar de uma vida feliz e gratificante. |
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