Conectando a igreja a uma cultura de evangelização | J. Mack Stiles

Como apresentar Jesus a pessoas não religiosas | Aaron Pierce
08/jun/2026
Como apresentar Jesus a pessoas não religiosas | Aaron Pierce
08/jun/2026

A closeup shot of females sitting around a table and reading the holy bible with a blurred background

Se você faz parte de uma igreja saudável, com uma cultura de evangelização, você participa da melhor forma de evangelização já conhecida. Como esse princípio é trabalhado na igreja?

Deixe de lado as objeções práticas a essa ideia; estamos lidando com um princípio totalmente espiritual e bíblico.  Jesus disse: “Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.35). Um pouco depois, na mesma oportunidade com os discípulos, ele orou para que se tornassem um, “para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.20, 21). Jesus diz que o amor uns pelos outros conforme demonstrado na igreja é a declaração de que somos de fato convertidos. E, quando estamos unidos a igreja, mostramos no mundo que Jesus é o Filho de Deus. O amor confirma o nosso discipulado. A unidade confirma a unidade de Cristo. Que testemunho poderoso!

Há muitas passagens na escritura que ensinam e moldam nossas iniciativas evangelistas, mas esses versículos são fundamentais, pois mostram que a igreja deve ter essa cultura de evangelização. Devemos usá-los para ensinar nossos filhos!

P: que ação confirma nossa conversão genuína a Cristo?

R: O amor por outros cristãos.

P: E como demonstramos que Jesus é o filho de Deus?

R: tornando-nos um com outros crentes

 

A igreja local é o evangelho visível

Se quisermos retratar o Evangelho por meio do amor uns pelos outros, isso deverá ocorrer na congregação local de pessoas que se comprometeram, em amor, a ser igreja. Não se trata de amor abstrato, mas de amor às pessoas no mundo real. Inúmeras vezes, ouvi não cristãos dizerem que a igreja lhes parecia estranha, mas lhes chamava a atenção o amor entre os membros.

Entretanto, o Evangelho não é retratado apenas por meio do nosso amor. Você já pensou em quantas instruções bíblicas, incorporadas por Deus à vida da igreja, se praticadas corretamente, servem de proclamação do Evangelho?

Ao buscarmos uma cultura sadia de evangelização, não adaptamos a igreja à evangelização. Na verdade, deixamos que o que Deus já incorporou à igreja anuncie o Evangelho. Jesus não se esqueceu do Evangelho quando estabeleceu a igreja.

Por exemplo, o batismo representa a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus. Mostra como a morte dele representa a nossa morte e sua vida, a nossa vida. A ceia do Senhor anuncia a morte de Cristo até que ele venha e nos prepara para confessar nossos pecados e experimentar a renovação do perdão. Quando oramos, oramos a respeito das verdades de Deus. Cantamos as grandes coisas feitas por Deus a nosso favor por meio do Evangelho. Contribuímos financeiramente para expandir a mensagem do Evangelho. A pregação da palavra traz o Evangelho.

Na verdade, a pregação da palavra de Deus é o que dá a forma inicial à igreja. E, uma vez formada, a igreja recebe a tarefa de fazer discípulos, que então são enviados para pregar o Evangelho e formar novas igrejas. Esse ciclo tem acontecido desde a ascensão de Jesus ao céu e continuará até ele voltar.

 

Um verdadeiro “ponto alto”

Recentemente estive na igreja High Pointe (ponto alto) Baptist Church, em Austin, no Texas. O pastor Juan me pediu para fazer um seminário sobre o desenvolvimento da cultura de evangelização. Após realizar o seminário, as pessoas fizeram perguntas. Então, alguém me perguntou algo que não pode ficar sem resposta: “muitos vietnamitas estão se mudando para região à volta da nossa igreja; o que a igreja fará para alcançá-los?”.

Por um lado, essa é uma pergunta maravilhosa. Uma pessoa da igreja reconheceu seu privilégio e responsabilidade de alcançar aquelas pessoas com o Evangelho e vislumbrou uma oportunidade de fazê-lo. Por outro lado, a forma que a pergunta tomou parecia implicar que alcançar era responsabilidade da igreja e não da pessoa que percebeu a oportunidade.

No entanto, a cultura de evangelização envolve todas as pessoas e não é algo que parte de cima para baixo. Nessa cultura, as pessoas compreendem que a principal tarefa da igreja é ser igreja. Já vimos que as práticas eclesiásticas são por si sós um testemunho. Certamente a Igreja apoia as oportunidades evangelistas e ora por elas, mas seu papel não é estabelecer programas. A igreja deve cultivar a cultura de evangelização. Os membros são enviados a partir da igreja para evangelizar. Sei que isso pode parecer exigente demais, mas é muito importante. Se você não entender isso corretamente, é possível que subverta a igreja – ou fique irado sem motivos com a liderança.

Foi assim que respondi à pergunta feita na igreja High Pointe: “o melhor a fazer não é que a igreja estabeleça programas especiais para evangelização dos vietnamitas, talvez alguns cumprimentos na língua deles, que experimente suas comidas e se inteire sobre as suas dificuldades que enfrentam para viver na cultura dominante. Tente se comunicar com eles e convide os amigos que fizer para irem à sua casa, há um pequeno grupo de estudos bíblico ou à igreja. Então, talvez, alguns de vocês pudessem até considerar mudar-se para junto da comunidade vietnamita com propósito de apresentar o Evangelho à comunidade”.

A reação foi de olhares confusos. No entanto, houve um grande alívio na expressão facial do pastor Juan, que se mostrou agradecido por eu não ter escolhido um programa evangélico para que ele o implementasse.

Em seguida, acrescentei: “e, quando você trouxer seu amigo dessa comunidade para a igreja, todos participarão do jogo: todos vocês farão parte do esforço por alcançá-lo. Essa é a cultura de evangelização. Não se trata só de ser amigável, ainda que isso devo ocorrer, mas de ter uma consciência profunda de que estamos juntos nisso. Numa igreja saudável, os visitantes enxergam a presença do Evangelho em tudo que fazemos. Por isso cantamos, oramos e pregamos a palavra. Desejamos que as pessoas ouçam o Evangelho no culto. E, quando praticamos os sacramentos, queremos que elas vejam o Evangelho e ouçam mais uma vez quando explicamos o que está acontecendo. Quando os membros vivem o Evangelho, o Evangelho brota de nós”.

Esse é o esboço de uma cultura de evangelização em ação. Sei que é um pouco radical, e nem sugeri que eles matriculassem seus filhos na escola local com os filhos dos vietnamitas. Algumas pessoas podem me acusar de não me importar com a comunidade vietnamita, uma vez que não incentivei a igreja High Pointe a estabelecer um programa de evangelização patrocinado pelos membros. No entanto, afirmo que a melhor maneira de se importar com essa comunidade ou com qualquer outra comunidade é apresentar o Evangelho para que as pessoas possam crer. Esse objetivo é mais bem servido pelo testemunho de uma igreja que tem uma cultura de evangelização, por membros que se tornam amigos dos vietnamitas, com quem podem então compartilhar o Evangelho. Essa abordagem tem um impacto muito maior que um programa da igreja para distribuição de roupas, uma creche, a evangelização de porta em porta, o convite para uma festa infantil ou qualquer outras das várias atividades bem intencionadas realizadas pelas igrejas.

Em certo sentido, todas as igrejas mantêm uma fórmula ou outra de cultura de evangelização. Mesmo as igrejas que rejeitam a evangelização mantêm uma cultura de evangelização, ainda que não bíblica. A questão não é “temos uma cultura de evangelização?”, mas “nossa cultura de evangelização é saudável ou não?”.

Acredito que o maior motivo porque a cultura de evangelização da Igreja está doente não reside no fato de temermos as pessoas ou de não termos a estratégia ou método correto de evangelização – por mais importantes que sejam essas questões –, mas sim, no fato de não entendermos a igreja.

 


Trecho extraído da obra “Evangelização“, traduzido por Edições Vida Nova e publicado no site Cruciforme com permissão.

 

É diretor executivo da Gulf Digital Solutions e secretário geral da FOCUS (Fellowship of Christian UAE Students [Associação de Estudantes Cristãos dos Emirados Árabes Unidos]). Além de ter atuado como plantador de igrejas durante anos, atualmente é presbítero na igreja Redeemer Church, de Dubai. É autor de Marks of the messenger e Speaking of Jesus.

Passam-se alguns anos e as igrejas continuam se lançando à mais recente moda evangelística. Os líderes administram o novo programa, e os membros põem a mão na massa. Mas imagine uma igreja em que a evangelização simplesmente faça parte da cultura da igreja. Os líderes estão sempre compartilhando a fé e o fazem abertamente. Os membros os seguem, incentivando uns aos outros a tornar a evangelização uma forma da vida.

Esse é o conceito de evangelização apresentado neste livro pequeno, mas impactante. A questão aqui não é oferecer programas. Antes, ele apenas deseja propor à sua igreja uma nova maneira de viver e compartilhar o evangelho.

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