O jantar é um ótimo momento para discipular as crianças | Tony Evans

Uma visão teológica para o discipulado dos nossos filhos | Robert Thune
05/out/2026
Uma visão teológica para o discipulado dos nossos filhos | Robert Thune
05/out/2026

Quando nossos filhos ainda estavam em casa, a mesa de jantar era o ponto central da vida familiar. A menos que eu estivesse viajando, nós nos reuníamos ao redor dela todas as noites, não apenas para comer, mas também para usufruir a vida juntos. Líamos e discutíamos a Palavra de Deus, orávamos, conversávamos e contávamos piadas. Eu usava a hora do jantar para conferir se as crianças estavam cumprindo suas responsabilidades e tarefas domésticas, ou se tinham feito bem os trabalhos escolares e entregado tudo dentro do prazo. As conversas giravam em torno da lição ensinada na escola dominical, ou da leitura devocional do dia, dos programas com os amigos, do que estavam aprendendo na escola e do que estava no coração deles — ou no nosso — naquele momento. Muitas vezes eu escolhia o texto bíblico que seria lido e discutido no próximo jantar, mas indicava um dos meus filhos para liderar o debate. Isso lhes dava oportunidade de aprender a ensinar a Bíblia e mediar diálogos espirituais. Outras vezes, eu pedia que eles orassem uns pelos outros, não somente como expressão de cuidado mútuo como também para aperfeiçoar a virtude de pensarem nos outros, e não apenas neles mesmos, quando orassem.

O tempo ao redor da mesa não consistia simplesmente de um sermão bíblico de minha parte. As crianças contavam histórias usando o flanelógrafo, encenavam esquetes, recitavam versículos bíblicos ou entoavam cânticos depois de terminarmos a refeição. Ninguém tinha pressa em sair da mesa. Ela era o nosso elo de comunhão, e continua assim até hoje quando nossos filhos ou netos dão uma passadinha aqui em casa.

Acima de tudo, meu desejo era que nossos momentos ao redor da mesa fossem uma experiência agradável e divertida para a família toda. Percebi que meus filhos reagiam melhor naquele tipo de ambiente quando, inevitavelmente, discussões mais sérias vinham à tona. Eu queria que ficassem à vontade, mas que fossem transparentes; que se divertissem, mas que se envolvessem. Às vezes, eu propunha: “Atenção, todo mundo, vamos percorrer a mesa e cada pessoa vai contar sua melhor piada ou imitar alguém”. Também usávamos a mesa para ensinar etiqueta: como um cavalheiro trata uma senhora, como ela deve reagir, e as boas maneiras que todos devemos ter.

O tempo ao redor da mesa em nossa casa não incluía apenas a nossa família. De modo proposital sempre hospedávamos missionários e obreiros de vários ministérios, não somente para praticarmos o dom da hospitalidade, mas também para podermos usar a mesa de maneira estratégica a fim de reforçar nosso sistema de valores para nossos filhos. Ao ouvir as histórias sobre a obra de Deus contada por pessoas envolvidas no ministério ou em missões, nossos filhos adquiriram uma apreciação maior pela obra. Também aprenderam a cultivar seus dons de hospitalidade, pois eram chamados a ajudar no preparo da refeição, a colocar a mesa, a participar da conversa e a lavar a louça.

Minha filosofia sobre bate-papo à mesa de jantar nasceu do meu desejo de criar um lugar dedicado ao discipulado em nossa casa e de tirar proveito de algo que já estávamos fazendo juntos naturalmente. Contudo a teologia por trás da conversa à mesa vai mais longe do que isso. A mesa de jantar era muitas vezes usada como lugar de encontro das famílias na cultura judaica dos tempos bíblicos. Na verdade, o rei Davi incluiu a mesa em meu capítulo favorito da Bíblia — o capítulo que fala sobre a família do reino, o salmo 128:

Como é abençoado aquele que teme ao Senhor, que anda em seus caminhos. Quando comer do trabalho de suas mãos, você será feliz e tudo irá bem com você. Em sua casa, a sua esposa será como a videira frutífera, e seus filhos como brotos de oliveira ao redor de sua mesa. O homem, pois, que teme ao Senhor será abençoado. Que o Senhor o abençoe de Sião, e que você veja a prosperidade de Jerusalém todos os dias de sua vida. Que você veja os filhos de seus filhos. A paz esteja sobre Israel!

O versículo 3 afirma que a família do reino terá “filhos como brotos de oliveira ao redor de sua mesa”. Devemos usar a mesa de jantar como o lugar principal da criação de filhos, e assim eles receberão os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. As oliveiras levam em média quinze anos para se tornarem árvores, todavia elas precisam ser nutridas de maneira apropriada durante esse tempo para que cresçam fortes e frutíferas. Pais do reino, a mesa de jantar não é somente o melhor lugar para a nutrição física de seus filhos, mas também para que a nutrição espiritual, relacional e moral aconteça.

Eu sei que as circunstâncias nem sempre permitem que todas as famílias se reúnam ao redor da mesa todos os dias para almoçar ou jantar, entretanto, minha esperança é que, na medida do possível, nós, como um corpo de cristãos que criam filhos do reino, possamos abrir espaço para um retorno intencional à mesa. Vamos reconhecê-la pelo lugar estratégico que ela ocupa na vida, na saúde e no desenvolvimento do nosso lar.

O tempo que vocês passam à mesa estabelece sintonia, receptividade e camaradagem na família. Essas coisas contribuem para a maturidade saudável de seus filhos e providencia o terreno para todas as outras virtudes e valores germinarem. Ao guiar intencionalmente discussões, questões e período devocional, você terá a chance de se concentrar nas áreas que mais precisam de aprimoramento, ao mesmo tempo que oferecerá incentivo e aprovação às áreas que já foram bem cultivadas.

No entanto, não permita que o tempo ao redor da mesa se torne uma formalidade em que você risca da lista as tarefas cumpridas pela família. Ao contrário, deixe que esse tempo produza naturalmente conversas que girem em torno das questões de responsabilidade e amadurecimento. Isso criará um ambiente propício à comunicação e ao divertimento, assim como abertura para o aprendizado.

 

Trecho extraído e adaptado da obra “Crianças do reino“, de Tony Evans. Publicado no site cruciforme com permissão.

 

É fundador e pastor titular da igreja Oak Cliff Bible Fellowship, em Dallas. É presidente do ministério The Urban Alternative e apresentador do programa de rádio The Alternative With Dr. Tony Evans, transmitido para mais de 130 países. Evans também é autor de mais de 70 livros, entre eles Homem do reino (Mundo Cristão). É casado com Lois há mais de quarenta anos e tem quatro filhos e onze netos.

Em Crianças do reino, livro inspirador e repleto de dicas práticas, o dr. Tony Evans conduz, com sabedoria e graça, pais e mães ao longo dessa difícil mas abençoada tarefa de criar filhos, oferecendo estratégias para:

criar um ambiente em que os filhos mantenham sua identidade firme em Jesus Cristo, independentemente da cultura que os cerca;
os pais amadurecerem ao perceberem o valor da paternidade e da maternidade, tendo como parâmetro a Palavra de Deus, e não o comportamento dos filhos;
experimentar a liberdade de influenciar os filhos, e não controlá-los;
renovar as forças ao ver sua responsabilidade como pai e mãe da perspectiva do reino;
substituir a criação reativa pela criação intencional.

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