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Ouça o testemunho cristão da maior parte das pessoas ou sonde o seu próprio coração, e quase todos diremos que chegamos perto de compreender pelo menos o conceito de que Deus, por alguma razão divina, decidiu perdoar nossos pecados. Vemos a cruz. Sabemos o que ela representa. Sabemos que não a merecemos, mas aceitamos. Amamos isso e amamos a Deus pelo que ele faz.

Por nos justificar.

Por nos enxergar como seres puros e sem culpa.

Contudo, no momento em que fomos justificados, alguma coisa a mais estava acontecendo ao mesmo tempo. Uma espécie de “bônus” de justificação. Ambas as coisas ocorreram num instante. Num estalar de dedos. Não dá para separar o momento em que uma ou outra ocorreu. Mas do ponto de vista da experiência — da forma como parece, do jeito que vivemos — a maioria de nós, ao custo de muita alegria, alivio, liberdade e benção, geralmente levamos anos, às vezes muitos anos, talvez todos os anos da nossa vida até deixar que nosso coração e nossa mente sejam tomados por esse outro aspecto do pacote de benefícios do evangelho.

Em Romanos 8.15-17 encontramos a seguinte definição para isso:

  • Recebemos o “Espírito de adoção”;
  • Agora somos “filhos de Deus”;
  • E, “se somos filhos […] somos herdeiros”;
  • Somos “coerdeiros de Cristo”.

Nós dois (Matt, Michael) somos pais. Nós dois seguramos nos braços nossos filhos ainda bebês. Nesses momentos, entendemos que essas crianças preciosas mereciam que sacrificássemos a vida por elas (ou tirássemos a vida de alguém) para protegê-las.

Pense nisto: essas crianças não haviam feito nada por nós quando as seguramos pela vez, quando as amamos pela primeira vez. Na verdade – particularmente, é claro, às nossas esposas, mas a nós também, em razão da íntima proximidade com a situação. Já haviam no custado horas sem dormir. (E nos custariam muitas outras). Já havíamos custado dinheiro. (E nos custariam muito, muito mais). Haviam nos custado sábados e noites da semana, ocasiões em que gostaríamos de fazer outra coisa, mas tínhamos de comprar coisas para o bebê, pelas de mobília do bebê que tinham de ser montadas. Esses carinhas não haviam sequer falado uma palavra, não tinha pintado nenhum desenho para nós, não tinham tirado nota dez em nenhum boletim, nem sequer haviam embrulhado um par de meias para nos presentearem no dia dos pais.

E nós os amávamos. Já os amávamos.

Eles eram nossos. Eram especiais.

Eles nos levaram a lágrimas de pura alegria.

Nós dois, como pais que somos, podíamos olhar um para o outro agora, mesmo depois de vários anos de paternidade, e sentir a mesma coisa que você provavelmente está sentido. Ainda achamos difícil acreditar que Deus, nosso Pai, pudesse nos amar e sentir por nós a mesma alegria, o mesmo orgulho, ter o mesmo sentimento de proteção e a mesma disposição que temos pelos nossos filhos. Mais, na verdade.

É inacreditável.

Deus não apenas nosso Juiz; é nosso Pai.

E talvez, para você, essa ideia pode não parecer uma notícia reconfortante como pode ser para outros. Sua história talvez seja mais parecida com a de Clarissa, que cresceu em um lar sem pai desde os dois anos de idade. Ela só veio a conhecer o pai quando estava no penúltimo ano do ensino fundamental, depois de buscar entrar em contato com ele por conta própria. Logo ela começou a se corresponder com ele, pôde conhecê-lo, ver como ele era, o quanto dela era na verdade parte dele ­­– seu rosto, suas mãos, seus gestos e manias. Era tão maravilhoso, ela se sentia tão completa. Pela primeira vez na vida, ela era filha de um pai vivo, real.

Mas seus meses depois do primeiro encontro, quando estava começando o oitavo ano, Clarissa recebeu uma carta do pai. Ele dizia que havia cometido um erro ao concordar em ter um relacionamento com ela. Não ia dar certo. Ele tinha outras coisas para fazer, outras obrigações à sua espera, e ela era um complicador no meio disso tudo. Ele não sabia o que esperar quando, hesitante, havia consentido em conversar com ela. No entanto, àquela altura, ela tinha de saber o que a aguardava mais à frente. Ela não queria mais ter contato com ela. De tipo nenhum.

Tchau, Clarissa.

Para sempre.

Você sabe como são as crianças. Elas sonham. Imaginam. Ainda há espaço nelas para a esperança. Clarissa sempre achara que aquele homem – esse homem lendário, seu pai — um dia entraria em seu mundo num cavalo branco e a salvaria de uma vida medíocre. Agora, porém, ele se fora. Não havia conto de fada para viver, nenhum príncipe para aquela princesa. Com o cair da cortina do que poderia ter sido felicidade eterna, sua vida começou a ganhar contornos sombrios e mergulhou em um pesadelo. Ira, ódio, ruína, autodestruição. Drogas, abandono, gravidez, suicídio – ou, mínimo, algo muito próximo disso.

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Mas o que ela aprendeu como uma jovem redimida – o que Deus no ajudará a todos a aprender, se permitirmos, se crermos – é que Deus é o pai que nosso pai teria sido se o pecado não tivesse subvertido sua vida… o pecado não nos subverteu a todos. Deus entrou em nossa vida para nos redimir, inclusive dos bons pais, dos pais fiéis, que deram o melhor se si, mês mesmo nos amando não podiam amar do jeito que o Pai ama.

Do jeito que ele ama você, se é filho dele.

Essa é sua identidade – um filho, uma filha de Deus, o Rei celestial, o soberano supremo, Juiz de toda a terra. E porque Deus pode, e porque ele assim decide, ele também é Pai… Pai de seus filhos.

E se você não sabe disso ou se ainda não consegue crer nisso – ou não consegue lidar com isso, ou não permite ter esse sentimento –, Deus providenciou um meio de comunicar-lhe essa verdade de um modo que você possa entendê-la profundamente, não importa o quanto tenha sido rejeitado. Não importa o quanto tenha suportado traições ou tenha sido maltratado.

Ele não apenas lhe deu uma nova identidade. Ele lhe deu seu Espírito. E esse Espírito de adoção “dá testemunho” de que somos “filhos de Deus” (Rm 8.16).


Trecho extraído e adaptado da obra “O Resgate da redenção“, de Matt Chandler & Michael Snetzer, publicada por Vida Nova: São Paulo, 2018, p. 91-94. Traduzido por A. G. Mendes. Publicado no site Cruciforme com permissão.

 

É pastor de grupos pequenos na Village Church e mestre em aconselhamento pela Dallas Baptist University. Serve na equipe pastoral da Village Church desde 2007 e trabalha em tempo parcial no North Texas Christian Counseling desde 2012. Por sete anos atuou como conselheiro no Center for Christian Counseling. Michael tem três filhos: McKenna, Ava e Greyson. Ele e a esposa, Sonia, casaram-se em 2007.
Matt Chandler é pastor da The Village Church, uma igreja multilocalidades frequentada por mais de dez mil pessoas. Seus sermões aparecem com frequência entre os primeiros cinco podcasts mais ouvidos do iTunes. Ele mora em Dallas com a esposa e três filhos. Autor de vários livros, entre eles, Criados pela palavra: a igreja centrada em Jesus e Viver é Cristo, morrer é lucro, publicados por Vida Nova.
VOCÊ NÃO PODE, MAS DEUS PODE TODAS AS COISAS.

Sempre temos áreas na vida para melhorar — em nós mesmos, nos relacionamentos... praticamente em tudo. Mas todas as nossas corajosas tentativas de melhorar, se chegam a mudar alguma coisa, são incompletas na melhor das hipóteses e arrematados fracassos na pior das hipóteses. E, às vezes, muito pior que isso.

A não ser que...

O evangelho de Jesus Cristo é o grande “a não ser que” da vida — tanto para aqueles que já creem (mas não conseguem acreditar nas “pisadas de bola” que ainda são capazes de dar), quanto para aqueles que ainda não creem, mas sabem que nada está dando certo para eles.

O Resgate da Redenção, escrito com a intensidade ousada de um pastor e com a visão perspicaz de um conselheiro, fará você se aprofundar nas Escrituras para que possa se aprofundar em si mesmo e descobrir que o coração de todos os nossos problemas é na verdade o problema do nosso coração. Mas, por causa de tudo o que Deus fez e pode fazer, a pessoa mais confiante e satisfeita que você já conheceu pode ser, na verdade, você mesmo — redimido por meio de Jesus Cristo.

Publicado por Vida Nova.

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