Expedição em busca da verdade – Parte 11: Todas as religiões são iguais? | Fábio Mendes

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Expedição em busca da verdade – Parte 11

Esta é uma série intitulada “Expedição em busca da Verdade”, que tem por objetivo fornecer uma perspectiva racional e filosófica a respeito da existência de Deus e da veracidade do Cristianismo. Clique aqui para conferir todos os textos da série.

Discuti anteriormente a questão de verdades absolutas e a briga entre religiões. Disse que a questão mais importante é analisar não como pessoas que se dizem representar uma religião se comportam, mas que a melhor alternativa é analisar a doutrina de cada religião. No entanto, será que essas doutrinas são no final a mesma coisa? Será que essas brigas e confusões são mais causadas pelas pessoas do que pelas doutrinas?

Eu vejo muitas pessoas, cansadas de brigas e discussões por causa de religião, tentando encontrar um meio termo para muitas vezes evitar mais confusão. Pessoas do “deixa disso” chegam a afirmar que todas as religiões essencialmente pregam a mesma coisa.  Mas será que é esse mesmo o caso? Será que todas as religiões são essencialmente iguais?

Elas pregam essencialmente a mesma coisa

Será? Vejo esse tipo de afirmação sendo lançada por muitas pessoas bem intencionadas em “trazer a paz” e encontrar mínimos denominadores comuns entre todas as visões religiosas. No entanto, independentemente de ser uma atitude nobre, a pergunta a ser feita é se isso é verdade. Essas religiões pregam a mesma coisa? Não tenho espaço para discutir todas as religiões do mundo através da história, de forma que irei me concentrar em algumas principais.

Budismo

O Budismo possui diferentes ramificações. Há correntes que colocam Buda quase como um Deus e outras não. Uma boa parte da corrente do Budismo não trata Deus com um ser relevante. Ao invés de especificamente afirmar que Deus não existe, ela não trata da questão de forma direta. A ideia principal do Budismo é alcançar um estado de mente em que não desejamos nada. Enquanto estamos desejando algo, estamos presos a um estado de mente inferior. Devemos esvaziar nossa mente de desejos para então conseguir este estado mental maior.

Hinduísmo

O Hinduísmo pode ser visto como politeísta. Há a crença em várias divindades, sem necessariamente haver uma única acima de todos. Salvação é obtida por uma sequência de reincarnações muito parecida com o Budismo. Devido a uma forte influência cultural, o Hinduísmo possui tantas variações que é difícil defini-lo de forma precisa.

Judaísmo

O Judaísmo é o antecedente do Cristianismo. O Judaísmo crê numa vinda futura do Messias, crê que o povo de Israel é escolhido por Deus e crê na obediência da lei Mosaica para estar em comunhão com Deus. O Judaísmo não crê que Jesus era o Messias como pregado pelo Cristianismo.

Cristianismo

O Cristianismo crê que só há uma forma de se chegar até Deus: através de Jesus Cristo. Pessoas que não creem em Cristo não terão uma vida eterna com Deus. O Cristianismo começou a partir do Judaísmo e crê que o Messias veio na forma de Cristo para estender a salvação não só para Judeus mas para gentios (não-judeus) também.

Islamismo

O Islamismo é monoteísta, mas não crê que Jesus era Deus. Considera Jesus um profeta, embora dê maior ênfase a Maomé. É uma religião baseada em obras, embora estas não necessariamente determinem a salvação. Alá é soberano por todas as coisas e decide quem vai ou não para o paraíso. Possui um sistema de 6 pilares de fé que incluem fé nos profetas, na ressurreição e na unicidade de Deus.

Confucionismo

O confucionismo é mais relacionado a ideias filosóficas e não lida com questões espirituais. Não trata da existência do sobrenatural ou de Deus.

Nova Era

A Nova Era inclui várias “denominações”, mas, em geral, acredita que todos nós somos parte de uma divindade ou de uma consciência única do universo. Assim, somos todos deuses. Precisamos nos desconectar do material para alcançar essa divindade.

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As descrições acima são bem generalizadas e simplificadas. Obviamente, cada uma das religiões possuem particularidades e complexidades maiores do que as que foram resumidamente apresentadas acima. No entanto, fica claro que as religiões não pregam a mesma coisa. Elas possuem claras distinções entre si e não há como todas estarem certas. É logicamente possível que todas estejam erradas, no entanto, não é lógico afirmar que todas estão certas.

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Podemos elevar qualquer comparação a um grau de generalidade alto o suficiente para provarmos similaridades

Na tentativa de conciliar as religiões, um problema típico é elevar o grau de generalidade. Quanto mais alto se eleva o grau, mais qualquer coisa se parece com outra. Como exemplo, note uma comparação entre um leopardo e uma hiena. São claramente animais diferentes. No entanto, se, em lugar de nos concentrarmos nos detalhes, nos ativermos a um grau de generalidade maior, podemos torná-los iguais. A única coisa que necessito é uma comparação que mostre que os dois são mamíferos, tem quatro patas, dentes etc.

Podemos nos concentrar tanto nas similaridades que encobrimos as diferenças

Este outro erro de comparação é um pouco parecido com o anterior. Ele envolve salientar tanto as similaridades, de forma que não damos atenção às diferenças. Vejamos a comparação do Budismo e Islamismo, por exemplo. Podemos afirmar que ambas têm o objetivo de chegar a “um lugar ou estado de paraíso ou nirvana”. Isso é verdade nas duas religiões. Neste nível, as religiões são similares. No entanto, se prestarmos atenção nas diferenças, veremos que elas são significativas.

No Islamismo, esse paraíso envolve desfrutar de coisas (em alguns casos, virgens), quando no Budismo trata-se de um estado de renegação do desejo. É um estado de negação do material para se alcançar o Nirvana. Embora ambos sejam descritos como “paraíso ou Nirvana”, são totalmente diferentes.

Outro exemplo: Cristianismo e Islamismo. São similares no sentido de afirmarem a existência de Deus e do céu (paraíso). No entanto, se analisarmos o processo para se chegar ao paraíso, notaremos que são fundamentalmente diferentes. O Islamismo é baseado em obras, sem garantia do paraíso. Alá é quem decide, mesmo que a pessoa siga todos os pilares da fé. No Cristianismo a salvação se dá pela fé e não por obras e o paraíso é garantido para todos os que creem.

Minha conclusão é de que as religiões NÃO são essencialmente iguais e NÃO levam ao mesmo lugar. São mutualmente exclusivas. O Hinduísmo aceita a existência de vários deuses enquanto o Cristianismo aceita a existência de um único Deus. O Cristianismo é monoteísta como o Islamismo. No entanto, o Islamismo não aceita a divindade de Cristo e até mesmo nega que ele tenha morrido na cruz. No Cristianismo, Jesus é a figura principal; no Islamismo, Maomé é a figura principal.

Tentar generalizar todas as religiões para se chegar a um comum acordo entre elas parte do pressuposto de que todas elas são verdadeiras. No entanto, isso não é lógico. É possível que muitas ou todas as religiões sejam falsas e, portanto, devam ser rejeitadas e não conciliadas.

O objetivo final então seria separar as falsidades das verdades em lugar de conciliá-las. Minha conclusão final então envolvia analisar todas essas religiões de uma maneira metódica e verificar seus posicionamentos e credibilidade. É o que pretendo fazer no futuro. No entanto, antes de fazer isso, preciso concluir que um Deus ou vários existem. Assim, minha expedição daqui para frente mudará de análise de verdades e “brigas” entre várias expressões de verdade, para uma análise da existência ou não de um Ser Supremo.

Clique aqui para conferir a Parte 12. Todos os textos aqui.

Fábio Mendes mora na Califórnia, EUA. É bacharel em Ciências da Computação pela Universidade Bethel, em Minnesota, e MBA em gerenciamento de tecnologia pela University of Phoenix. Atualmente, exerce a função de Arquiteto Sênior de Sistemas para uma seguradora internacional. Membro da igreja Christ Fellowship, em Miami, dedica-se ao pensamento e à filosofia cristã com ênfase para jovens.

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