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Recentemente, passei um tempo estudando um dos versículos mais simples do Novo Testamento: “bem-aventurados os pacificadores”. Não há palavras complicadas neste versículo, nem grego difícil de analisar. Ser abençoado significa ser feliz ou experimentar o favor de Deus; ser um pacificador é (veja só!) fazer paz. Mas, embora as palavras sejam simples, aplicá-las exige algum trabalho. Basicamente, Jesus está dizendo que a paz com Deus nos leva a fazer a paz como Deus. Mas como realmente fazemos isso?

Parece-me que há pelo menos três maneiras de servirmos como pacificadores: podemos fazer a paz entre Deus e o homem; podemos fazer a paz entre homem e homem; e podemos fazer a paz entre igreja e igreja.

Paz entre o homem e Deus

Assim que obtemos paz com Deus, naturalmente queremos ver outras pessoas também obterem o mesmo. Isso é simplesmente o que chamamos de “evangelismo”, isto é, contar aos outros sobre as boas novas do evangelho e incentivá-los a se voltarem a Cristo em arrependimento e fé, incentivá-los a aceitar os termos de paz de Deus.

Você faz isso? Você está compartilhando o evangelho com outras pessoas? Você está pedindo, encorajando ou instando-as a se voltarem para Cristo? Este é um chamado sério e sagrado que Deus nos deu. E temo que, de todos os cristãos, os cristãos reformados estejam entre os mais propensos a negligenciar essa tarefa.

Há muitas maneiras de compartilhar o evangelho. Você pode falar com as pessoas no trabalho, em casa e em sua vizinhança. Você pode falar com seu motorista de Uber e seu cabeleireiro. Você pode distribuir folhetos e Bíblias. Você pode acessar as comunidades online das quais faz parte. Você pode participar de programas formais de evangelismo. Menos importante do que como você faz é o fato de você fazer.

O pacificador é o evangelista, isto é, aquele que deseja ver a paz entre Deus e o homem, e aquele que então compartilha o evangelho e chama as pessoas para ele.

Paz entre homem e homem

O segundo tipo de paz que podemos trazer é a paz entre homem e homem. Onde quer que nós formos, encontraremos pessoas que estão em conflito umas com as outras e, como pacificadores, podemos ajudar a trazê-las a um estado de harmonia.

Embora precisemos ter cuidado para não nos envolvermos em conflitos que não são da nossa conta e em conflitos que realmente não podemos fazer nada para ajudar, há momentos em que podemos intervir de forma útil em um conflito e ajudar os dois lados a chegarem a um acordo. Isso é especialmente verdadeiro quando o conflito é entre dois cristãos e, talvez de modo mais importante, quando é entre dois membros da mesma igreja.

Trazer a paz entre duas pessoas não significa apenas agir como apaziguadores, pessoas que tentam encobrir o conflito sem realmente resolvê-lo. Ser um pacificador é usar a própria verdade de Deus para lidar com uma situação de conflito e em seguida apelar às diferentes partes para que façam o que Deus diz. Precisamos sempre fazer a seguinte pergunta: o que a Bíblia diz sobre isso e como vou aplicar essas verdades bíblicas a essa situação específica?

Você pode ter contato com cônjuges que simplesmente não estão se dando bem, que estão sempre irritados um com o outro. E eles pedem sua ajuda. Talvez você possa começar simplesmente abrindo Efésios 5.33 e lendo o que Deus diz: “Entretanto, também cada um de vós (maridos) ame sua esposa como a si mesmo, e a esposa respeite o marido”. Tendo isso como ponto de partida, você pode ajudar o marido a pensar em como amar a esposa e ajudar a esposa a pensar em como respeitar o marido. Isso pode não trazer uma resolução total, mas pelo menos iniciará o processo.

Você pode ter contato com dois membros da igreja que tiveram uma briga. Talvez um tenha pecado contra o outro e esteja negando. Você pode conversar com a parte ofendida e abrir Provérbios 19.11 para lembrá-la: “A sensatez do homem o torna paciente, e sua virtude está em esquecer as ofensas”. Você consegue ignorar essa ofensa — consegue deixá-la de lado e continuar a se relacionar com essa pessoa como se nada tivesse acontecido? Se não consegue, você pode mostrar Mateus 18.15 a essa pessoa e ajudá-la a entender o processo que Deus nos fornece para resolver o conflito: procure essa pessoa sozinho, descreva a ofensa e veja se ela pedirá seu perdão; se não, pegue uma ou duas pessoas e faça o mesmo processo novamente; se mesmo assim não se arrependerem, leve o caso à igreja.

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Naturalmente, talvez seja você quem precisa obedecer a Deus quando ele diz: “se possível, no que depender de vós, vivei em paz com todos os homens”. Poderíamos dizer que você vive em paz com todas as pessoas?

Podemos imitar a Deus dessas e de muitas outras maneiras servindo como pacificador. Podemos trazer paz entre homem e homem.

Paz entre igreja e igreja

Também acho que há uma maneira pela qual nós, como membros de uma igreja local, podemos trazer paz entre igreja e igreja. É triste que muitas vezes as igrejas acabem se isolando ou desconfiando de outras congregações. Podemos até nos tornar competitivos uns com os outros quando se trata de aumentar nossos números.

Existe um doce ministério em ser uma igreja que ama outras igrejas, que faz e promove a paz com elas. Podemos ler sobre uma dessas igrejas em 1Tessalonicenses 4, uma igreja que foi elogiada por seu amor a outras igrejas. Não havia competição e nem ressentimentos. Havia apenas amor —amor por outras igrejas que eram imperfeitas, mas estavam do mesmo lado; eram imperfeitas, mas realizavam a mesma obra e trabalhavam pela mesma causa. É lindo quando as igrejas convivem em amor, confiança e unidade.

Somos chamados a ser pacificadores, não meros amantes da paz ou de tentativas de paz. E, no entanto, em última análise, precisamos reconhecer que os resultados não dependem de nós. Devemos fazer o máximo para buscar a paz, mas também devemos deixar os resultados nas mãos de Deus, confiando que ele é sábio e bom. Às vezes, para seus propósitos, ele trará resolução total; às vezes, para seus propósitos, ele não o fará. Podemos confiar em Deus em relação aos resultados.

Então é importante refletir: se somos chamados a fazer paz, por que há tanto conflito? Por que há tanto conflito na igreja, até mesmo entre os cristãos? A razão simples é que enfrentamos fortes inimigos que odeiam a paz e amam a guerra. O mundo ao nosso redor, nossa própria carne e o próprio diabo estão todos armados contra nós. Todos eles tendem para o caos da luta, não para a ordem da paz. E, portanto, precisamos orar pela paz — orar pela paz em nossos próprios corações, orar pela paz no mundo, orar pela paz dentro da igreja. E então, tendo orado, precisamos trabalhar por isso. Precisamos fazer a paz.

Assim, você é um pacificador ou um encrenqueiro? Você é um filho de Deus em fazer a paz ou é um filho do diabo em minar ou destruir a paz? O chamado claro para aqueles que obtiveram a paz com Deus é fazer a paz como Deus. A bela vocação do evangelho é imitar a Deus sendo alguém que ama a paz, que valoriza a paz e que faz paz.

Traduzido e publicado com permissão.

Texto original: Are You a Peacemaker or a Troublemaker? Tim Challies.

Tim Challies é pastor da igreja Grace Fellowship, em Toronto, no Canadá, editor do site de resenhas Discerning Reader e cofundador da Cruciform Press. Casado com Aileen e pai de três filhos, ele também é blogueiro, web designer e autor de várias obras.
O discernimento espiritual serve para muito mais do que tomar grandes decisões de acordo com a vontade de Deus. É uma atividade essencial do dia a dia, pois permite que cristãos comprometidos separem a verdade de Deus do erro e distingam o certo do errado em todas as situações. É também um tipo de habilidade, algo que qualquer pessoa pode desenvolver e aprimorar, especialmente com a orientação deste livro.

Publicado por Vida Nova.

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