
Conectando a igreja a uma cultura de evangelização | J. Mack Stiles
15/jun/2026
Ao se concentrar no elogio e no encorajamento, estou focando em apenas uma das chaves para trazer novo ânimo aos relacionamentos, e concentrar-se em apenas uma chave é simples. A chave é complicada.
Meu carro, por exemplo, possui uma única chave. Ele abre as portas, o porta-malas, o porta-luvas, liga os acessórios e dá a partida. Uma chave – isto não é complicado. É pequena, leve e se encaixa no meu bolso. Mas a chave em si é uma maravilha da engenharia. Ela não apenas possui diversas ranhuras, entalhes e protuberâncias em haste, uma empunhadura apropriada para girar e um bem planejado orifício para colocação no chaveiro, mas também contém uma magia eletrônica –um chip – que trabalha em conjunto com o computador interno do carro em sincronia com as medidas de segurança do projetista. É uma chave complicada. Quando nossa casa foi invadida e a chaves dos carros foram roubadas, foram necessários vários dias para substituir as chaves. As complicações tornam as chaves caras, portanto não as perca. Do mesmo modo, não perca o encorajamento de vista; ele também é uma chave cara de se substituir, caso se perca.
Quatro características dos bons encorajamentos
Separado da correção
Uma pessoa que tenha lido até esse ponto pode pensar erradamente: “Existe uma correção amorosa que seria sábio fazer, e entendo o poder e a importância do elogio, de modo que vou misturar alguns elogios à minha correção”. Uma correção embrulhada junto com o elogio vai contaminar e enfraquecer o elogio, talvez até mesmo fazendo que ambos sejam frutíferos.
Consequentemente, não funciona bem economizar elogios futuros pensando, por exemplo, que você queira falar com seu marido sobre ele jogar as meias sujas no chão, de modo que você rapidamente repete de cor uma série de elogios, como: “obrigado por pagar as contas e tirar a neve da calçada; vejo que você se barbeou hoje. Agora, quanto a suas meias…”. As correções tendem a cancelar os elogios, e, quanto maior a proximidade da correção, mais prejudicado será o elogio.
Certa vez ouvi falar sobre um supervisor que infelizmente usava aquilo que ele chamava de “método do sanduíche” com seus funcionários. Ele usava elogios como se fossem apoio de livros ao lado de suas críticas. Quando desejava corrigir um de seus funcionários em relação a algo, ele começava com a famosa fatia do pão de forma, ressaltando algo naquele funcionário, do tipo: “Estou feliz por ter um trabalhador dirigente como você em nossa equipe”. Em seguida, ele colocava o recheio do sanduíche, uma correção, algo como: “Mas a qualidade de sua produção não está de acordo com os nossos padrões”. Depois, ele terminava com outra fatia do pão de forma, outro elogio, como: “Portanto, mantenha sua diligência enquanto melhoramos a qualidade”. Bem, seus funcionários inteligentes observadores começaram a ver o padrão: a única vez em que aquele supervisor encorajava era quando estava prestes a fazer uma correção. Assim, quando ele começava a elogiar um dos seus funcionários, o que você acha que estava acontecendo na mente deles? Você está certo se pensou que eles estavam se preparando para uma batalha, certificando-se de que os escudos estavam erguidos, saltando para trincheiras emocionais e procurando abrigo. Então, quando ele entregava a correção, eles absorviam o aguilhão, o golpe da espada. Finalmente, durante o elogio de acompanhamento, a segunda fatia do pão, a conversa interna e silenciosa dos funcionários já havia se transformado em auto-justificação, como: “Bem, a qualidade melhoraria se a gerência fornecesse materiais de melhor qualidade”; ou: “ Você estabelece um cronograma tão apertado que não conseguimos manter o ritmo”; ou ainda, “Não tenho sido eu mesmo desde que meu cachorro morreu, desde minha amputação quádrupla desde que meu filho adolescente comprou uma bazuca”. Consequentemente, o funcionário nem sequer escutava o elogio seguinte. Os trabalhadores deixaram de sintonizar o supervisor. Não é difícil entender uma das razões pelas quais os elogios dele pareciam não ser muito elogiosos para eles.
Era um bom sanduíche, e ele se orgulhava de seu método, mas seus funcionários começaram a chamá-lo de sanduíche de besteira. Deixe os elogios sozinhos, separados da correção.
Constante
Relacionado à primeira observação (o encorajamento é melhor se não estiver ligado à correção), esta observação vai além. Ainda que não haja nenhuma correção, é preciso haver um fluxo constante de elogios. Indiferença e silêncio passivo não honram. Um vácuo de aprovação provavelmente não trará ânimo à pessoa nem glorificará o Deus que concedeu a graça à pessoa. O simples fato de não bebermos veneno não significa que o corpo será saudável; ele também deve receber nutrientes. O fato de não estarmos abrindo os buracos no fundo de nossa canoa não significa que as ondas e as tempestades da vida não exigirão de nós que façamos ativamente alguma retirada de água de tempos em tempos. Uma dieta constante de elogios em um relacionamento é como regar e capinar um jardim – é reanimador e mantém as ervas daninha sob controle. Simplesmente não fazer nada não vai impedir que as ervas daninhas cresçam. O mato dá um jeito. Ele é parte de nosso mundo caído e amaldiçoado.
É um erro tolo presumir que eu seja um bom vizinho simplesmente porque não bato na minha esposa, não xingo meus filhos e não roubo dos comerciantes do meu bairro. O encorajamento vai além da aceitação passiva, na direção de uma dieta constante de aprovação ativa, não objetivando apenas a correção mínima, mas o encorajamento sério.
Dar elogios exige tempo, portanto separe tempo para ela. Reserve tempo para o encorajamento ao interromper aquilo que está fazendo, no impulso momentâneo, com o propósito de atrair a atenção para uma ação elogiável, e a seguir reserve tempo para ela ao marcá-la em sua agenda. Tome atitudes como reservar um tempo na tarde do próximo domingo (marca um compromisso consigo mesmo) para escrever uma nota encorajadora para seu pastor. Coloque o encorajamento em sua agenda – por exemplo, “às 10h da manhã de amanhã vou ligar para minha esposa, do meu trabalho, simplesmente para dizer que sou grato a Deus por sua fidelidade para comigo”. Em relação ao aniversário de um amigo que se aproxima (aniversários não são repentinos, mas regulares, permitindo que planejemos de antemão), decida antecipadamente reservar um tempo suficiente na agenda para escrever as qualidades que você aprecia em seu amigo.
Há 25 anos escrevo diariamente uma mensagem à minha esposa (dois lados de um cartão de 7 cm por 12 cm). Seria tolice minha presumir que uma única prática regular como essa fosse o suficiente, fluindo como uma soma de elogios em um ritmo saudável na direção de Vicki, vinda de seu marido; todavia, essa é uma maneira pela qual mantenho um fluxo de “eu te amo” e outras mensagens positivas chegando a ela. Vicky tem várias caixas de sapato cheias delas. Embora tenhamos perdido a conta dos números de bilhetes, é fácil contabilizá-los. Infelizmente, este marido profundamente falho ainda deixa de encorajar sua esposa de maneira adequada de tempos em tempos, fixando minha atenção em um aspecto ou outro de seu comportamento que eu gostaria de ver mudado. Mas, quando o foco se localiza ali, em mudá-la, não demora muito até que eu deixe de ser aquele que traz novo ânimo a ela, e posso notar isso. O arrependimento logo surge. Deus, que é fiel mesmo quando não somos, me desperta e eu luto para restabelecer um ritmo alegre de elogios genuíno na direção da esposa longânima e perdoadora que ele me deu. Os cartões de 7 por 12 são simplesmente uma maneira de tentar manter constante a dieta do encorajamento.
Provavelmente não existe ninguém que pense: “encorajamento é uma estupidez. Não vou fazer isto”. Contudo, se pensamos que devemos fazer elogios, então por que não o fazemos? A ausência ou a raridade de nossos elogios geralmente não se deve ao fato de termos pulado da cadeira numa tarde ensolarada e anunciando: “Chega de elogios de minha parte! Não senhor!”. Em vez disso, ficamos preocupados, distraídos. A vida acontece – é preciso trocar o bebê, o telefone toca e dizemos ao vizinho que vamos ajudar a consertar aquele negócio chato. E, antes de percebermos, muita água já passou por debaixo da ponte, o mato da indiferença cresceu e não conseguimos nos lembrar da última vez que deixamos a bênção escapar. A diminuição dos elogios é exacerbada se houver uma ou duas desavenças misturadas, esfriando o ar ainda mais. Permita que um texto como este sirva de despertador, de lembrete, de cutucão.
O ânimo trazido ontem não anima permanentemente. Não é possível estocar frescor.
E aqueles que desejam estabelecer padrões saudáveis de encorajamento não esperam por um convite.
Leitores criativos sem dúvida desenvolverão suas próprias maneiras de manter um ritmo e um volume saudáveis de elogios que glorificam a Deus e trazem ânimo àqueles que estão à sua volta, e eu ficaria muito agradecido por conhecê-las.
Honesto
Elogie apenas o elogiável. Simplesmente não funciona fazer elogios falsos. Nem todo mundo é acima da média, e achar que isso é real é cômico. Portanto, não chame seu marido de o homem mais sábio do mundo, a não ser que você realmente pense que ele é. (se achar que ele é, então você deve dizer a ele, agradecendo a Deus ao fazer isso).
Se os elogios não forem verdadeiros, não vão animar de verdade e não durarão por muito tempo. Eles não vão de fato edificar, pois são mentiras. Eles enganam. Isso será descoberto, e um senso de novo ânimo será substituído por um senso de traição e desconfiança: “Os lábios que dizem a verdade permanecem para sempre, mas a língua mentirosa dura só um momento” (Pv 12.19); “Acumular riquezas com a língua mentirosa é vaidade passageira e armadilha mortal” (Pv 21.6).
Esse engano não é o que este livro está defendendo. Quando os elogios não forem sinceros, a pessoa elogiada passará a não confiar no encorajador e começará a pensar no que de fato está acontecendo. Elogios falsos saem pela culatra mais cedo ou mais tarde. O desejo de manipular não pode se esconder por trás de elogios falsos, assim como você não pode brincar de esconde-esconde numa casa de vidro. O elogio falso é não apenas enganoso, mas odioso: “Aquele que odeia dissimula com os lábios, mas no seu interior acumula o engano” (Pv 26.24). Percebeu? Aquele que odeia!
É mais provável que os elogios verdadeiros saiam de um coração verdadeiramente encorajador, que é outra razão pela qual é tão importante seguir a Deus de perto, realizando a nossa salvação com temor e tremor, buscando a santidade pedindo a Deus que nos transforme de dentro para fora. Gordon Cheng explicou a questão muito bem: “Pessoas que encorajam genuinamente outras pessoas não estão fingindo. Isso brota daquilo que elas são – ou melhor, da maneira que Deus as criou”.
Centrado em Deus
O objetivo ao trazer ânimo as pessoas é glorificar a Deus, à medida que as ajudamos a ver Deus em ação na vida delas, movendo-as na direção de serem como Cristo.
Ajudamos as pessoas a ser rasas quando concentramos nossos elogios nas tranças dos cabelos, nas joias de ouro ou no luxo dos vestidos, nos adereços, nos piercings e nas tatuagens (veja 1Pe 3.3-4). Tais coisas são externas. Em vez disso, devemos dar atenção aos padrões de caráter que surgem da obra de Deus que acontece dentro da pessoa.
A centralização em Deus é a razão pela qual elogiei minha filha de 11 anos de idade por coisas como ser ordeira (a organização reflete o ser mais ordeiro de toda a existência, Deus), e não por ter a parte de cima de uma cômoda como uma aparência “boa” ou algum outro elogio vago. Há dezenas de maneiras de ver a imagem de Deus, até mesmo em descrentes. Quando elogiei meu aluno Wayne por ser um pensador, reconheci que Deus é o maior pensador que existe. “Vinde raciocinemos”, é o que Deus diz.
Portanto procure aspectos de Deus para ressaltar, sem bajulação ou manipulação. Ao fazer isso, apontamos para algo valioso e dizemos: “vejo isso em você? Valorizo isso e o Deus que é a fonte disso”. Apontar para qualidades de caráter como as de Cristo numa pessoa é uma maneira de louvar a Deus, elogiando os atributos dele reproduzimos em outros por meio de sua graça. Ao valorizar uma qualidade de caráter, atribuímos honra à sua fonte. E podemos ser explícitos ao declarar isso de maneira franca.
Trecho extraído da obra “Elogios de edificam“, traduzido por Edições Vida Nova e publicado no site Cruciforme com permissão.
![]() | Mestre em Artes pela Universidade da Dakota do Sul. É ex-professor de escola pública e pastor executivo da igreja Bethlehem Baptist Church, em Mineápolis, desde 1997, onde também é pastor-líder dos programas de treinamento para a vida. |
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![]() | Praticar o encorajamento e o elogio é um chamado para reconhecer e louvar o próprio caráter de Cristo presente em alguém. Quando bem praticado, o elogio não alimenta o orgulho, mas revigora quem o recebe e traz honra a Deus. Neste livro, todos os que estão desanimados nos relacionamentos encontrarão sabedoria e visão prática. O fato de nossa boca estar vazia de elogios provavelmente acontece porque nosso coração está cheio de amor próprio [...]. O livro de Sam é um bálsamo curador para excêntricos, desajustados e descontentes que estão de tal modo cheios de si mesmos que mal conseguem enxergar e menos ainda celebrar as belezas simples da imperfeita virtude presente nos outros. |
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