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Não quero ser famoso na internet. Mas sei como fazer isso. É fácil:
1. Jogue o jogo do algoritmo.
2. Veja o passo 1.
3. Repita.
Se você acha que estou simplificando demais, na verdade não estou. É disso que se trata. Mais do que qualquer outra coisa, você precisa prestar atenção ao que o algoritmo da plataforma escolhida recompensa — o que gera engajamento — e agir de acordo. E o que ele recompensa com mais constância? Raiva. Fúria. Hostilidade. Essas coisas a Bíblia chama de “obras da carne” (Gálatas 5:19-21).
A raiva, especialmente, se espalha rápido. É uma emoção de alta excitação que aciona imediatamente nossas respostas de luta ou fuga. Portanto, se quisermos ser famosos, basta apertar esse gatilho.
O fascínio da fama passageira
Qualquer um pode apertar o gatilho. Tanto você quanto eu. E muita gente faz. Existem pessoas de quem você só ouviu falar, literalmente, porque elas manipularam o algoritmo. Algumas construíram plataformas online gigantescas ou criaram podcasts e conseguiram seguidores nas redes sociais. Outras têm livros que venderam milhões de exemplares. Elas conseguiram o que queriam. Ou o que achavam que queriam.
Mas aqui está o problema: para se manter no auge você precisa continuar alimentando a fera. Como diz o ditado, aquilo com que você conquista as pessoas é aquilo para o qual você as conquista. E se a raiva foi o que lhe garantiu um público, é isso que você precisa continuar oferecendo. Então, você pode começar com uma indignação genuína e justa sobre um determinado assunto, mas, com o passar do tempo, isso se torna encenação. Transforma-se em fabricação de controvérsia. (É por isso também que vemos tantos pastores dizendo coisas tolas na internet em busca de cliques.) E, eventualmente, inevitavelmente, o público conquistado cedo ou tarde se volta contra você.
O fascínio da fama, de construir um nome para nós mesmos, não é novo. É uma história antiga, como o relato de Babel (Gênesis 11). Sabemos o fim daqueles construtores da torre. E sabemos como tem sido para todos os outros construtores desde então. Mesmo assim, continuamos tentando. Continuamos pensando que, talvez, para nós seja diferente.
Mas nunca é. No fim das contas, isso nos decepciona.
Por que pensamos pequeno demais?
Como era de se esperar, Jesus tinha algo a dizer sobre isso. Perto do fim de seu ministério terreno, ele disse aos seus discípulos:
“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser preservar sua vida, irá perdê-la; mas quem perder a vida por minha causa, este a preservará. Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a vida? Ou, que dará o homem em troca da sua vida? Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um segundo suas obras. Em verdade vos digo: Alguns dos que estão aqui de modo nenhum provarão a morte até que vejam o Filho do homem vindo no seu reino.” (Mateus 16:24-28).
Muitas pessoas têm dificuldade em entender essas palavras. Afinal, parece que Jesus está dizendo que o que queremos não importa nem um pouco. Ou seja, nossos desejos, esperanças e sonhos na vida não têm importância. Mas não é exatamente isso que está acontecendo. Lembre-se de que isso ocorreu imediatamente depois de Jesus ter predito sua morte e ressurreição. E Pedro, sendo Pedro, havia repreendido Jesus por isso: “Longe de ti, Senhor; isso não vai acontecer contigo” (Mateus 16:22).
Pedro e os outros discípulos não compreendiam que o Messias — o tão esperado rei de Israel — iria morrer. Eles presumiam, como tantos outros, que o Messias seria um conquistador que governaria um reino terreno. E, quando ele alcançasse sua glória, eles também alcançariam a deles. Esta cena nos mostra o quanto os discípulos estavam pensando pequeno demais. Jesus era e é um rei, sem dúvida. Mas o caminho para o seu reino passava pelo sacrifício de si mesmo, não pela autopreservação. E aqueles que seguem a Cristo precisam saber que isso tem um preço. Às vezes, esses preços são altos. Outras vezes, são sutis, algo que só nós percebemos. Mas sempre existem.
O que se ganha em tentar agradar ao algoritmo?
O que nos traz de volta à questão em pauta: a notoriedade na internet e as perguntas que estão no cerne da repreensão de Jesus aos seus discípulos: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” Essas perguntas nos desafiam a examinar o que estamos fazendo e a ponderar os benefícios e os custos.
De que adianta tentar agradar ao algoritmo? O que uma pessoa está disposta a dar para ser “famosa”, mesmo que seja apenas por um momento? Preocupa-me que muitos de nós estejamos dispostos a abrir mão do nosso caráter e integridade por algo que realmente não importa. A agir de maneiras contrárias ao fruto do Espírito — isto é, de sermos desprovidos de amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, mansidão, fidelidade e domínio próprio (Gálatas 5:22-23). E para quê? Por curtidas, cliques e comentários.
Escrevo isso como mais uma pessoa que sente a tentação de seguir o caminho mais fácil para construir uma base de seguidores. (Sou um escritor, e escritores precisam de um público engajado e interessado.) Mas será que quero construir uma base de seguidores de uma forma que viole minha consciência e meu caráter? Nem um pouco. Para mim, o preço é alto demais, e a “recompensa” é pequena.
Penso que o melhor a fazer é ser fiel e passar despercebido pelo algoritmo. Fazer o que é certo e confiar que Deus produzirá os frutos no tempo certo, segundo os Seus propósitos. Porque é isso que realmente importa.
Texto original: You don’t want to be internet famous Traduzido e publicado no site Cruciforme com permissão.

