A IA pode acelerar a informação, mas não a santificação | Tim Challies

A benção do encorajamento | Sam Crabtree
22/jun/2026
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Com o passar do tempo, venho me tornando mais receptivo à IA. Embora reconheça que ela levanta muitas questões e preocupações legítimas — e que exige muita sabedoria para ser bem utilizada (e não mal utilizada) —, também vejo diversas maneiras pelas quais ela pode se revelar uma ferramenta extraordinariamente útil. Estou cada vez mais convencido de que, em breve, ela se tornará tão onipresente e, em certo sentido, tão comum quanto são hoje os nossos celulares.

Isso parece improvável? Vinte e cinco anos atrás, teríamos chamado você de louco se tivesse nos dito que todos andaríamos com um retângulo brilhante conosco o tempo todo — e que os estranhos seriam os poucos que optassem por não fazê-lo. No entanto, aqui estamos nós. Suspeito que a IA vá se infiltrar em nossas vidas de maneiras semelhantes, ou talvez até mais significativas. Será uma tecnologia presente nos bastidores do nosso cotidiano, gostemos ou não; mas, de várias formas, a maioria de nós provavelmente também a acolherá em primeiro plano.

A IA já é muito eficiente em diversas áreas. Tenho testado suas capacidades exaustivamente e me impressionado com o que ela consegue fazer, mesmo em seu estágio atual de desenvolvimento, que ainda é relativamente inicial. Embora exija um investimento inicial considerável de tempo e esforço para aprendizado e treinamento, ela logo pode gerar grandes retornos em termos de economia de tempo, eficiência e produtividade. Embora seja capaz de realizar trabalhos criativos, a IA se destaca especialmente em tarefas burocráticas e rotineiras — aquele tipo de atividade repetitiva que muitos humanos ficariam mais do que satisfeitos em delegar a outros, sejam eles assistentes humanos ou eletrônicos. Se existe um processo definido que precisa ser executado repetidamente — como triagem, arquivamento, filtragem ou atualização —, há grandes chances de que a IA possa realizá-lo. Se há um conjunto de dados que precisa ser pesquisado, sintetizado ou manipulado, ela provavelmente também consegue lidar com isso. Se é necessário redigir políticas ou analisar contratos, ela também demonstra grande competência nessas tarefas. Além de realizar essas atividades, ela geralmente o faz com uma velocidade impressionante e um nível de eficiência que só se acredita vendo. De modo geral, sou a favor de utilizar a IA dessa maneira.

É claro que algumas pessoas também estão usando a IA para realizar trabalhos criativos, e isso me preocupa muito mais. Já existe uma infinidade de YouTubers que utilizam a IA para gerar roteiros para seus vídeos e, em seguida, usá-la para editá-los, criar as miniaturas e produzir e agendar todo o conteúdo para as redes sociais. O YouTube só precisa digitar um comando (prompt), sentar-se diante da câmera para ler o texto gerado, e a IA faz o resto. Muitos escritores também estão fazendo algo semelhante. Li recentemente um artigo de um escritor muito popular que explicava ter reduzido sua jornada de trabalho a apenas algumas horas, pois a IA agora gera todos os seus artigos — inclusive aquele que eu estava lendo. É inevitável imaginar quanto tempo levará até que esses YouTubers e escritores se tornem dispensáveis ​​e acabem sendo totalmente excluídos do processo.

Entendo por que tantas pessoas estão recorrendo à IA para realizar seus trabalhos criativos. A criatividade é difícil e, não apenas difícil, mas também lenta. É preciso tempo e esforço para ter ideias, e ainda mais tempo e esforço para transformar essas ideias em algo que valha a pena ler, ouvir ou assistir. A IA promete trazer eficiência a um processo que sempre foi ineficiente. Com um único comando, consigo gerar um artigo sobre um tema de meu interesse e com um tom de voz que se aproxima do meu. Em questão de segundos, esse conteúdo pode ser criado, personalizado com a identidade da marca e compartilhado com o mundo. Um processo que antes poderia levar horas ou dias agora leva segundos ou minutos. Em uma época em que valorizamos tanto a eficiência, pode ser difícil resistir a esse tipo de ganho.

Mas a que custo? E se a ineficiência da criatividade for uma vantagem, e não uma desvantagem — uma característica intencional, e não uma falha? E se o propósito da criatividade for maior do que simplesmente gerar um resultado? E se a criatividade promover um tipo de formação interior tão importante quanto a obra que dela acaba surgindo? E se transferirmos para a IA um processo que é parte essencial do que significa ser humano — e que é genuinamente benéfico para nós?

Uma vez que a IA esteja profundamente envolvida na gestão de nossas vidas e na execução de nossas atividades criativas, parece ser apenas um pequeno passo integrá-la também à nossa vida espiritual. É difícil orar? Deixe a IA gerar uma oração para você. É difícil entender a Bíblia? Peça à IA para resumir a passagem para você. Está com dificuldade para preparar um estudo bíblico? Peça à IA para elaborar o esboço ou até mesmo preparar o estudo completo para você. Ela é uma serva sempre pronta a ajudar e realiza tudo isso — e muito mais — com prazer. Basta fornecer o comando adequado, e ela provavelmente fará um excelente trabalho.

Mas, mais uma vez: e se a luta for fundamental para o propósito? E se a oração não tiver de ser algo fácil, e se a dificuldade inerente a ela realizar algo significativo em nosso interior? E se o processo de interpretar corretamente a Bíblia e aplicá-la fielmente for um meio que Deus utiliza para formar o seu povo? E se a preparação de estudos ou sermões for mais do que apenas gerar conteúdo para os outros — sendo, na verdade, uma maneira de Deus moldar nossas almas e conformá-las à Sua vontade? O que acontecerá conosco se deixarmos que nossas ferramentas façam tudo isso por nós? Podemos até ganhar em eficiência, mas o que perderemos será muito mais importante — e isso resultará em nosso próprio empobrecimento.

O fato é que a santificação é uma obra de toda uma vida, um esforço lento para o qual nem mesmo as maiores mentes cristãs jamais encontraram atalhos eficazes. Há meios envolvidos, e às vezes métodos também. Mas não existem atalhos, impulsos ou recursos de aceleração. Embora o Espírito nos capacite com alegria, ninguém mais pode fazer isso por nós — nem homem nem máquina. Pelo contrário, todos nós devemos nos empenhar nessa obra, dedicar tempo a ela e passar pelo processo. Todos nós devemos mortificar o pecado e viver para a justiça, pela graça de Deus e para a glória de Deus. Embora a tecnologia seja veloz, a santificação é lenta, e nem Claude nem qualquer outra pessoa pode realizá-la por você.

 

Texto original:  Technology is Fast, Sanctification Is Slow, and Claude Can’t Do It For You Traduzido e publicado no site Cruciforme com permissão.

 

Tim Challies é pastor da igreja Grace Fellowship, em Toronto, no Canadá, editor do site de resenhas Discerning Reader e cofundador da Cruciform Press. Casado com Aileen e pai de três filhos, ele também é blogueiro, web designer e autor de várias obras.

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