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Igreja, o seu pastor pode cair. Espero sinceramente que isso nunca aconteça e desejo que ele, assim como a maioria dos seus colegas, permaneça fiel e qualificado até o fim do seu ministério. Mas, embora seja improvável que um escândalo, uma falha moral ou a desqualificação venham a ruir o seu ministério, o risco existe. E, por ser real, pastores e igrejas devem agir com sabedoria desde já, adotando medidas preventivas. Práticas como as apresentadas aqui ajudam a prevenir falhas e, caso elas ocorram, orientam a igreja a responder com discernimento.
Pastores Qualificados
Não há nada mais importante ou eficaz que uma igreja possa fazer do que isto: garantir que o seu pastor seja qualificado. A Bíblia deixa claro que um pastor não se qualifica para o ministério principalmente por causa de aptidão, experiência ou senso de vocação. Pelo contrário, o pastor é qualificado sobretudo pelo seu caráter. Três passagens do Novo Testamento que se complementam (1 Timóteo 3.1–7; Tito 1.5–9; 1 Pedro 5.1–3) apresentam uma extensa lista de requisitos de caráter, e homem nenhum deve exercer o pastorado se não cumprir esses critérios. Ele os cumprirá de forma imperfeita, é claro, mas precisa dar provas consistentes de cada um desses atributos. Ele deve viver de modo irrepreensível e ser um exemplo digno de ser seguido e imitado. O pastor precisa encarnar aquilo que todo cristão é chamado a ser e, simplesmente, não deve estar no ministério se não for assim.
Deus sabe que nós nos impressionamos facilmente com homens carismáticos, habilidosos e com grande capacidade de liderança. Em qualquer outra organização, esses atributos seriam os que qualificam um homem para um cargo. Mas, na igreja, eles devem ser sempre secundários ao caráter. Alexander Strauch expressa bem essa ideia: “Um homem pode ser um empresário bem-sucedido, um funcionário público competente, um administrador brilhante ou um grande líder militar, e ainda assim ser um péssimo presbítero…”. Por quê? Porque liderar uma igreja é muito diferente de liderar qualquer outro tipo de organização, e depende mais do exemplo de piedade do que da habilidade de liderança. A semelhança com Cristo é sempre a prioridade máxima.
Assim, a primeira coisa que uma igreja pode fazer agora, antes que qualquer pastor caia em pecado, é garantir que ele seja qualificado segundo os critérios de Deus.
Pluralidade de pastores
Uma segunda medida fundamental é manter sempre uma pluralidade de pastores. Essa pluralidade consiste em dois ou mais homens, cada um qualificado por seu caráter, que dividem a responsabilidade de liderar a igreja. Uma pluralidade não deve ser um homem cercado por concordadores, nem um líder cercado por opositores ou “advogados do diabo”. Em vez disso, é um grupo de homens com uma vocação comum para guiar a igreja e que, portanto, compartilham a responsabilidade dessa liderança. As tarefas do dia a dia e da rotina semanal, as áreas de supervisão e o nível de envolvimento de cada um podem variar bastante, mas a vocação e a responsabilidade são as mesmas: eles devem liderar a igreja. A autoridade deles também é igualitária, de modo que nenhum tem o poder de se impor sobre os demais, evitando centralizar o que foi projetado para ser compartilhado.
A pluralidade traz obstáculos, mas muitos desses obstáculos são benéficos. Em vez de um homem sempre fazer as coisas do seu jeito, cada um precisa convencer os outros sobre qualquer tomada de decisão. Em vez de depender de uma única perspectiva ou interpretação da Escritura, uma liderança plural tem acesso a múltiplos olhares. Em vez de um homem atuar no escuro, vários trabalham juntos na luz. Homem nenhum demonstra mais a sua desqualificação do que aquele que se julga capaz de liderar uma igreja sozinho.
Uma igreja pode agir agora para evitar escândalos no futuro, garantindo que seja liderada por uma pluralidade de homens qualificados. Pode ser sábio, inclusive, incluir em seus documentos oficiais uma cláusula estabelecendo que, se a igreja perder essa pluralidade, passará para a supervisão temporária de uma igreja parceira e confiável que a tenha. Seja como for, o propósito de Deus é que sua igreja seja conduzida por uma liderança plural de homens qualificados por seu caráter piedoso.
Pastores que prestam contas
Outra medida fundamental é a prestação de contas. Um pastor precisa prestar contas tanto quanto qualquer outro irmão da igreja. Não há nada no ministério que elimine ou mesmo reduza essa necessidade. Prestação de contas significa ter outro indivíduo ou grupo que saiba o que ele fez e avalie se isso foi justo e sábio de acordo com as Escrituras. Além disso, significa permitir que eles conheçam quem ele realmente é, para que possam avaliar se ele continua qualificado para o cargo e começar a tomar providências para removê-lo, caso não esteja.
Em algumas estruturas eclesiásticas, os pastores prestam contas a um organismo presbiterial, como um sínodo ou classe, enquanto em outras eles prestam contas à membresia. O meu entendimento, fundamentado no congregacionalismo liderado por presbíteros, é que presbíteros e pastores (termos que considero sinônimos) prestam contas tanto uns aos outros quanto à igreja local, ainda que de formas distintas, visto que pastores e membros possuem diferentes esferas de supervisão. Os presbíteros cobram responsabilidade uns dos outros para permanecerem qualificados segundo os critérios bíblicos e para cumprirem as atribuições de sua vocação. Como presbitério, eles prestam contas pelas decisões que tomam e pela forma como exercem a liderança. Contudo, se um pastor ou todo o colegiado precisar ser destituído do presbitério ou até mesmo excluído do rol de membros da igreja por conta de um pecado sem arrependimento, essa responsabilidade cabe à congregação.
Mas, seja qual for a forma de governo da igreja, o princípio é que nenhum homem deve servir no ofício de presbítero sem algum tipo de prestação de contas. Eles devem viver com uma transparência intencional. Assim como um homem demonstra ser inapto para o ministério se pensa que pode servir sozinho, ele prova sua inaptidão se acredita que pode servir sem prestar contas.
Pastores que cuidam e são cuidados
Pastores são pastores chamados para cuidar do rebanho que lhes foi confiado. No entanto, mesmo ao cuidarem de outros, eles também precisam receber cuidado. Eles também são ovelhas e, portanto, também precisam de pastores. Uma igreja que conta com uma pluralidade qualificada de presbíteros sujeitos à prestação de contas já possui a estrutura necessária para garantir que seus pastores sejam bem cuidados.
Os pastores precisam de cuidado no sentido de que aqueles que dedicam todo o seu tempo à igreja devem receber uma remuneração adequada e benefícios justos. No entanto, eles também precisam que suas almas sejam cuidadas, assim como qualquer outro cristão. Eles necessitam de pessoas que perguntem sobre a situação de suas almas e lhes ministrem a Palavra de Deus com zelo. Embora haja espaço para estruturas eclesiásticas ou conselheiros bíblicos, na maioria das igrejas são os próprios pastores que cuidarão uns dos outros. Esse tipo de cuidado pode facilmente ficar em segundo plano diante das preocupações com os membros e do atrito da rotina dos ministérios, mas os pastores não podem negligenciar uns aos outros. Em vez disso, eles precisam de um ambiente no qual possam expressar inquietações, compartilhar medos, confessar pecados e, acima de tudo, viver com honestidade e transparência.
Conclusão
Há, sem dúvida, muitas outras maneiras pelas quais as igrejas podem tomar medidas preventivas desde já. Por exemplo, políticas de prevenção ao abuso podem proteger os vulneráveis de exploração e resguardar os inocentes contra falsas acusações. Políticas financeiras sólidas podem proporcionar prestação de contas e transparência no orçamento e nas despesas. Políticas trabalhistas e remuneratórias sólidas podem garantir que nenhum pastor tenha autoridade suprema sobre os demais.
Contudo, poucas medidas serão mais importantes para proteger a igreja do que o compromisso de garantir que os pastores sejam qualificados, de assegurar que haja sempre uma pluralidade de pastores/presbíteros e de garantir que esses homens prestem contas e sejam bem cuidados. Que o Senhor use medidas como essas para prover à sua igreja pastores fiéis que cumpram a sua vocação.
Texto original:What a Church Can Do Before a Pastor Falls Traduzido e publicado no site Cruciforme com permissão.
![]() | Tim Challies é pastor da igreja Grace Fellowship, em Toronto, no Canadá, editor do site de resenhas Discerning Reader e cofundador da Cruciform Press. Casado com Aileen e pai de três filhos, ele também é blogueiro, web designer e autor de várias obras. |
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