A benção do descanso | Tim Challies

Como os homens devem lidar com as emoções | Robert Wolgemuth
10/ago/2026
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Ao ler os capítulos iniciais da Bíblia, um fato simples sempre me chama a atenção: Deus descansou. Após uma semana de trabalho na qual criou este mundo e tudo o que nele existe, Ele descansou. Não por estar cansado ou esgotado, precisando recarregar Suas energias criativas, mas para tecer um padrão na própria estrutura da criação. Ele queria estabelecer um ritmo em que o trabalho desse lugar ao descanso. E se o Deus incriado e incansável atrela o trabalho ao descanso, certamente seres criados e frágeis como nós precisamos fazer o mesmo.

Quando chegou a hora de dar os Seus mandamentos ao povo, Deus estabeleceu esse padrão de forma ainda mais explícita, vinculando-o à lei: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho…”. Embora muitos cristãos compreendam que nossa relação com a Lei mudou após a morte e ressurreição de Cristo, nisto concordamos: Deus nos dá descanso para propósitos espirituais. Ele o faz para nos ensinar a depender dEle, a reconhecer que só nEle encontramos repouso e a lembrar que, além deste mundo, há um descanso eterno do pecado. O nosso descanso não é um dia, mas uma Pessoa; não é uma ocasião, mas o Salvador.

Mas Deus também nos dá descanso por razões práticas e físicas. Ele nos dá descanso porque somos fracos e finitos — porque precisamos dele e simplesmente não prosperamos sem ele. Podemos fazer mais bem, gerar mais bênção e servir melhor à Sua causa quando descansamos. Ele nos concede o descanso porque nos ama e quer o nosso bem. A verdade é que Deus valoriza profundamente o descanso!

O problema é que percebo que muitos cristãos ainda sentem a necessidade de justificar seu descanso — criando desculpas para ter o direito de parar. Frequentemente, tentam “santificar” o repouso, como se ele precisasse ser batizado para ter valor ou como se o descanso que mais glorifica a Deus fosse apenas trocar o trabalho secular pelo sagrado. Alguns parecem crer que o feriado mais santo é aquele gasto servindo em um acampamento, ou que o domingo mais abençoado é o que nos deixa exaustos na segunda-feira de manhã. São como crianças que ganham um presente de Natal e se sentem culpadas ao brincar com ele!

Será mesmo necessário preencher o descanso com tarefas “santas” para que ele agrada ao Senhor? Um bom feriado precisa nos deixar exaustos? Um bom domingo é necessariamente o mais atarefado? Não vejo evidências disso na Bíblia. O descanso é exatamente isto: a cessação do trabalho para reabastecer as forças. Isso assume formas diferentes para pessoas diferentes, e temos total liberdade para descansar da maneira que melhor se ajuste à nossa personalidade e rotina. O que restaura uma pessoa pode exaurir outra.

É preciso ponderar, contudo, a diferença entre descanso e preguiça, ou entre revigoramento e ociosidade. Não há distinção entre sentar-se à beira de um lago e ensinar na Escola Bíblica, desde que ambas as coisas proporcionem verdadeiro alívio. Não há diferença entre uma soneca no domingo à tarde e abrir a casa para visitas, desde que ambas sejam recebidas como dádivas e feitas para a glória de Deus. Negamos a nós mesmos um bom presente quando nos recusamos a descansar de forma verdadeiramente restauradora — e privamos os outros dos frutos de estarmos refeitos.

Agora que o verão chegou, descanse! Descanse para reconhecer que o mundo não gira ao seu redor, mas pertence a Deus. Descanse para lembrar que você é humano, não divino. Descanse para fixar em sua mente que você é finito e que Deus o projetou tanto para o descanso quanto para o trabalho. Ambos são ideias dEle. Ambos são ordens dEle. Ambos cumprem os Seus propósitos. Deus acredita no descanso — e você também deveria.

 

Texto original: God Believes In Rest. Do You?  Traduzido e publicado no site Cruciforme com permissão.

 

Tim Challies é pastor da igreja Grace Fellowship, em Toronto, no Canadá, editor do site de resenhas Discerning Reader e cofundador da Cruciform Press. Casado com Aileen e pai de três filhos, ele também é blogueiro, web designer e autor de várias obras.

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